Entrevistando DJs:

Vibrantes, analgesicools, sintéticos e acima de tudo sem sono. Na companhia dos fones de ouvidos, mixers, laptos e softwares agitam a pista cuidadosamente sem deixar a "peteca cair". Entre cada troca de música se encontra um novo desafio para não perder o ritmo e desanimar o público que dançam e extravasam os mais diversos sentimentos. Uma tarefa muito difícil! Mas a quem diz que simplesmente os Djs não fazem nada, apenas apertam o play...
O blog The analgesicool conversou com 4 Disc jockeys, ou melhor com 4 djs sobre suas carreiras e alguns “desconcertos” relacionados a profissão:
DJ Joel Guglielmini: Gaúcho, Mora em Curitiba desde 2001, tem 25 anos e discoteca a menos de 2 anos... Pouco tempo mas suficiente para se destacar na cena eletrônica curitibana e ser indicado no AIMEC AWARDS 2008 na categoria de “Melhor DJ”. Já discotecou ao lado de grandes DJs : (Péricles (Bo$$ in Drama), Daniel Peixoto(Montage) Madame Mim (vj da mtv) Rodrigo Lopes, entre outros nomes).
DJ Tony Cezar Souza: 26 Anos, mora em vitoria da conquista, DJ a 10 anos( Se completa esse ano)Solteiro, Estudante de Direito, Comerciante, Produtor de eventos e Produtor Musical a 2 anos.
DJ Buneka: 18 anos, mora no interior de SP e trabalha com Body piercing e fotografia
DJ Marcello Ox: tem 21 anos, mora em SP, residente na Snooze Club e a noite no Cabaret Club e é conhecido em todas as matinês alternativas de SP e ABC- The analgesicool: A carreira de vocês como Disco Jockei começou com apresentações casuais dos discos da prateleira na festa de algum amigo?
- DJ Joel: Eu sempre gostei de gravar coletâneas com músicas para amigos, disso foi um pulo a gravar meus sets e começar a tocar. Me formei na Academia Internacional de Música Eletrônica de Curitiba e comecei tocando em festas de amigos.
- DJ Tony: Não! Eu sempre quis ser DJ muito antes de qualquer outra profissão, coloquei isso como objetivo e de certa forma estou conseguindo! mesmo numa região provinciana, consegui abrir e conquistar meu espaço mesmo sabendo que não seria fácil e seria muito criticado.
- DJ Ox: Na verdade foi numa matinê mesmo, na The Boy Club, um DJ ficou doente e por causa do meu gosto musical fui chamado para substituí-lo, mesmo não sabendo mexer em nada.
- DJ Buneka: Comecei a discotecar em festas de amigos, foi apenas por diversão. Simples e Foda!
- The Analgesicool: Devido a varias mortes por overdose em festas de música eletrônica, os Djs e as raves ganharam associações as drogas. A mídia generaliza e passa uma imagem que na maioria das vezes é completamente contraria sobre os termos em questão.
O que pensam sobre isso?
- DJ Joel: Tudo que acontece no mundo serve de conteúdo para algo positivo ou não. Mas é útil e benéfico à intervenção de algum poder para que nada de ruim aconteça. Porém de modo mal elaborado, pode trazer uma imagem ruim à cena.
- DJ Tony: Assim, fica de certa forma inviável a produção de grande eventos de musica eletrônica, devido a mente estritamente fechada e "bitolada" a algo que sempre existiu e sempre vai existir seja qual for o segmento.
Eu penso que as pessoas que acreditam e que se manifestem, mostrem a realidade das festas que não são drogas, e sim um estilo de vida. Assim todos podem curtir, todos podem desfrutar, todos podem compartilhar sem discriminações, sem estereótipos formados por pessoas que não sabem se quer o que estão ouvindo e opinando. Na realidade isso é o que realmente me incomoda!
- The Analgesicool: Alguns dizem que Djs simplesmente simulam fazer coisas difíceis quando na verdade só apertam o play
o que pensam sobre isso?
- DJ Tony: Acredito que quem fala isso não sabe de certa forma Nem o dia de seu próprio aniversário, Claro que com algumas exceções como pessoas que se entitulam Djs apenas para aparecer e acabam queimando nosso trabalho e toda a cena. É o que chamo de emergentes ou paraquedistas. Mas em fim... problemas existem em todas as áreas!
Tocar pra mim é uma arte, uma dádiva que se mistura com o carisma, com a força de vontade e com o amor...
- DJ Joel: Eu sei bem como é isso, comecei a tocar direto de um pc e mesmo usando controlador, fone e mixer.. Havia quem falasse que eu não estava fazendo nada. Mas eu sempre prefiro acreditar que tudo está sendo feito na hora, mesmo lendo e vendo em sites: uns tocando e mesmo girando os knobs nada mudava ou até outros tocando com equipamentos sem cabos.
Mesmo assim acredito que tocar é a parte mais divertida de toda história.
- DJ Ox: ah.. as pessoas são as pessoas. Eu não ligo para opiniões alheias!
- The Analgesicool: atualmente DJs tem o mesmo valor que um musico?
- DJ Joel: Sim e não. Eu acho que tudo é música, seja uma nota musical ou uma música inteira. Não há o que dizer que um músico possui muito mais experiência e conhecimento de alguém que "apenas" discoteca. Cada um tem um estilo e uma forma de expressar sentimentos. São coisas complementares.
- The Analgesicool: No quesito criação e composição musical onde vocês estão situados?Apenas manipulam as picapes ou possuem projetos que incluem produções musicais, assim criando uma identidade?
- DJ Tony: No quesito produção, estou produzindo algumas musicas a 2 anos, sempre coloco uma ou duas musicas em meus sets dependendo de onde e pra quem vou tocar...
mas meu projeto(live) ainda está em testes e que já dei uma amostra na ultima festa segmentada em que toquei(sunshine)
mas quero tocar ele de forma completa Quando surgir um publico X pra ouvi-lo o que não está próximo da nossa realidade. infelizmente.
- DJ Joel: Eu estou aprendendo algumas coisas com amigos meus que já produzem como a DJ Jô Mistinguett, formatando o cérebro para pensar no que eu realmente acho que deveria fazer. Tenho menos pressa do que de deveria. Quero começar logo com isso, Pois sei que isso toma uma dimensão absurda na vida.
Estou com um projeto chamado “Vive La Musique” que produzo com o DJ André Nego, Somos nós dois e o DJ Cacá Azevedo de residentes. Sempre procurando fazer noites onde o objetivo é a diversão. Faremos uma edição dia 11/JULHO no Circus Bar com 18 DJS. 9 duplas a cada 45 min. Quero só ver!!!
- DJ Ox: Devido a falta de tempo ultimamente eu não me dedico mais as criações e só discoteco.
- The Analgesicool:
Já aconteceu com algum de vocês alguma situação inesperada em alguma festa?
Atingindo por latinhas de cervejas quem sabe![risos]
- DJ Joel:[risos] Latinhas não! Mas toquei em uma festa psy e iria fechar a pista com electrorock. Mas... misturei muitas coisas e aquilo não era exatamente o que eles queriam ouvir. Mesmo não estarem odiando, metade da rave não sabia se dançava ou não[a música certa na hora errada não se comunica com ninguém, Conseguir agradar todo mundo é uma tarefa realmente difícil. Por isso é preciso acreditar e gostar do que se faz] Ou algumas vezes que o pc resolvia atualizar o sistema ou baterem na tomada e o controlador travar junto com a música.
- DJ Tony: Já sim! a policia já chegou invadindo e simplesmente queria mandar parar o som, mas como não tinha mandado.. Não parei.
- DJ Buneka: Não graças a Deus!! Por enquanto não tive essa cena ruim e espero nunca ter. As boates que toquei sempre fui surpreendida pelo publico, Sempre acontece de pessoas chegarem ao meu lado carinhosamente me elogiando[é muito bom, um momento que só quem ta ali sente o quanto é gostoso de ver a galera curtindo o seu som e se “acabando”!]
- DJ Ox: Uma matinê rival junção da Snooze com a Bubbaloo, Alguns caras insatisfeitos com a musica começarão a me xingar entre outros detalhes..
- The Analgesicool:
Para terminar: Quais são os seus ídolos ? O que não pode faltar em seus sets? e além de música eletrônica o que vocês se permitem a escutar?
- DJ Tony: Gosto de selecionar até as ultimas musicas e ir em varias atmosferas em meus sets do minimal ao electro house...
Depende do momento:
Tipo você pode ouvir minhas musicas varias vezes, mas em sets completamente diferentes... gosto de sentir primeiro a vibe do momento em que vou tocar...
Embora minhas produções se enquadram no Progressive house, som que tenho pesquisado...: Gosto do psy, quero fazer um projeto de psy pra que eu possa tocar ano que vem... Mas quero ter sempre o Low bpm como prioridade.
Idolos tenho muitos...
O velho Michael, que se foi é um deles
Gosto de Chris Lake, Bsod, TocadiscO, me amarro em Armand Van Buren, John Acquaviva, Ramilson Maia(Conquistense).
- DJ Joel: Eu sou realmente bem eclético mas tenho algumas preferidas, gosto de músicas que signifiquem algo ou marquem algum momento. Meu contato com a música eletrônica começou com um vídeo clipes do Les Rythmes Digitales numa madrugada vendo MTV e depois do cd Radio Caroline da Miss Kittin, comecei a ver a música de forma diferente. Ouvia inteiro sempre no celular indo ou voltando de ônibus.Mas acho que sempre tem que ter alguma coisa diferente que tenha um toque próprio e a identidade de quem está tocando, sempre tento colocar alguma track do Depeche Mode, sejam versões refeitas ou pedaços das originais. Minha inspiração é determinada pelos fatores diárias. Se vejo um filme e ouço uma música, vou numa festa e escuto um set de algum SUPER DJ ou vou na feirinha do Largo e ouço o “Plá” cantando. Tudo isso acaba influenciando no que eu vou querer ouvir em sequência e por consequência vai formatando o meu gosto musical.
Mas mesmo tocando música eletrônica eu ouço de tudo desde Mundo Livre S.A. até Millencolin e de Bidê ou Balde a She Wants Revenge. E vejo a música como algo infinito. Cada dia pede de uma determinada trilha sonora, até aquelas de dor de cotovelos que ninguém gosta mas que todo mundo conhece. Por isso que eu acredito que música é sempre sentimento.
- DJ Ox: Sim! Me permito ir alem do eletrônico, Meu gosto musical é Pop vai de Daft Punk a Amy Winehouse. Disso da pra ter uma idéia de como são meus sets!
E meu ídolo é o Austin Power
- DJ Buneka: Me inspiro bastante na Katy Perry e na Lady Gaga e sempre escuto rock antigo como Bee gees e Queen.
- The Analgesicool: Agradeço a todos, por arranjarem um tempo para conversar com o blog, Adorei conhecê-los![completamente educados e simpáticos]





